A fístula anal é uma comunicação anormal entre o canal anal e a pele ao redor do ânus, geralmente originada de um abscesso anal prévio. Diferente de outras condições proctológicas, ela raramente resolve sem intervenção — mas a forma de tratá-la mudou bastante nas últimas duas décadas.

Por que a fístula anal quase sempre precisa de procedimento

O trajeto fistuloso funciona como um canal que conecta o interior do intestino à pele, geralmente mantido por um processo infeccioso ou inflamatório contínuo. Pomadas e antibióticos podem controlar crises agudas, mas o trajeto em si tende a persistir até ser tratado cirurgicamente. O grande desafio histórico sempre foi tratar a fístula sem comprometer os músculos esfincterianos, responsáveis pela continência.

O que é o VAAFT

O VAAFT (Video-Assisted Anal Fistula Treatment) é uma técnica que utiliza um fistuloscópio — um instrumento fino com câmera — inserido pelo próprio trajeto da fístula. Isso permite ao cirurgião visualizar todo o percurso da fístula por dentro, identificar trajetos secundários e tratar a lesão sob visão direta, sem necessidade de cortes externos extensos e sem seccionar o esfíncter anal.

O procedimento combina a fulguração (cauterização) do trajeto fistuloso por dentro com o fechamento do orifício interno, geralmente com sutura ou grampeamento. Por preservar a musculatura esfincteriana, o VAAFT é especialmente valorizado em fístulas mais complexas ou transesfincterianas, nas quais técnicas tradicionais teriam maior risco de incontinência.

Vantagens da técnica
  • Preservação do esfíncter anal, reduzindo o risco de incontinência.
  • Visualização direta de trajetos secundários que poderiam ser não identificados em técnicas convencionais.
  • Menor tempo de recuperação em comparação a fistulotomias mais extensas.
  • Possibilidade de repetição em caso de recidiva, sem "gastar" tecido esfincteriano.

Para quem é indicado

O VAAFT é especialmente indicado para fístulas anais complexas — transesfincterianas altas, com trajetos ramificados, em ferradura, ou com recidivas após tratamentos anteriores. Fístulas simples e superficiais muitas vezes podem ser tratadas com fistulotomia convencional, com boa relação entre eficácia e simplicidade. A decisão sobre qual técnica usar depende do mapeamento do trajeto fistuloso, normalmente feito com ressonância magnética ou ultrassom endoanal antes do procedimento.

Recuperação e resultados

A recuperação após o VAAFT costuma ser mais confortável que a de técnicas com cortes externos maiores, já que não há uma ferida operatória extensa exposta. Ainda assim, como em qualquer procedimento sobre fístula anal, a cicatrização completa do trajeto interno pode levar algumas semanas, e o acompanhamento pós-operatório é fundamental para identificar precocemente sinais de recidiva.

As taxas de sucesso variam na literatura de acordo com a complexidade da fístula tratada, e é importante que o paciente converse abertamente com seu cirurgião sobre a probabilidade de sucesso no seu caso específico, já que fístulas muito complexas podem exigir mais de um procedimento.

Quando buscar avaliação
  • Secreção purulenta ou de odor forte próxima ao ânus, de forma recorrente.
  • Histórico de abscesso anal que "abriu" e não cicatrizou completamente.
  • Dor e inchaço recorrentes na mesma região perianal.
  • Febre associada a dor perianal (pode indicar abscesso ativo, que é urgência).

Este artigo tem caráter educativo e não substitui uma consulta médica presencial. O diagnóstico e o tratamento adequados dependem de avaliação individual com um cirurgião. Em caso de sinais de alerta ou emergência, procure atendimento médico imediato.

Fontes consultadas:

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